Meu querido professor de história do ano passado, Robson, foi simplesmente o melhor professor que já tive em qualquer circunstancia! Imagine uma pessoa de coração bom, inteligente, mas ao mesmo tempo atrapalhado e divertido? Pensou? Aposto que você nem chegou perto do que é o Robson!
Apesar de ter aulas com ele apenas por um ano, foi suficiente para me identificar com a tal pessoa (por que será?) e passar a me ver nele. Sinto saudades manolo! Enfim, o que quero mostrar aqui é um tipo de personalidade que falta nas pessoas... Hoje em dia, a maioria vive em função de estudar, tem um bom emprego e ter uma família feliz e um cachorro babão... Em outro caso, conseguir dinheiro (não importa como obter, o que importa é ter, e muito!) e aproveitar todos os prazeres da vida ou então pessoas que são extremamente sérias e ponto, para quer ser "idiota"?
O Prof° Robson é o que eu chamo de "simples e prático", é uma pessoa comum, tem um emprego comum, mas faz de tudo para alegrar o dia dos alunos, da família, dos amigos de trabalho; em outras palavras, aproveitar a própria vida. Esse é o grande diferencial! Claro que a maior parte das ações dele corre o risco de algo dar errado. Mas quem se importa? Se fosse em outra escola "normal" com professores "normais", ele seria demitido com certeza! Pelo que você pergunta? Calma, vamos chegar lá logo... Continuando, ele não foi, ele é tão especial para os alunos como para o diretor e para a coordenadora do colégio que simplesmente foi algo do tipo "HAHAHA! Você é uma figura Robson! Não assuste mais a gente! HAHAHA!".
O post abaixo é do blog dele, onde ele escreve sobre receitas improvisadas na hora H que deram muito certo (ele ama cozinhar! Mas não se da bem com medidas e etc... Já viu a confusão né?) Ah! Ele faz aniversario no mesmo dia que eu... Talvez isso explique o porque somos tão parecidos!
Mas vamos ao que interessa:
Receita para alegrar uma tarde chuvosa de sexta-feira ou Torradas de Meias de Algodão.
Nem sempre as cosias saem como planejamos.
Aliás, ouso dizer que existem alguns dias em que o caos impera e, por mais que façamos tudo o que está ao nosso alcance para derrotá-lo, parece que nada, absolutamente nada, pode detê-lo.
Mesmo assim, diante do caos, continuo na vã tarefa de diblar as dificuldades, como se trabalhar sob pressão ou então solucionar o que aparentemente não há solução fosse uma espécie de hobbie.
Há quem diga que tenho um imã para problemas e confusões!
Era uma sexta-feira no Colégio!
Quem conhece o cotidiano de uma escola sabe bem do que estou falando.
Sexta-feira; a libido contida parece extravasar pelos poros da criançada... verte energia por tudo quanto é buraco!! Até o olhar daqueles mais CDF´s´parece ter uma energia pronta para ser liberada a qualquer momento.
Sinto medo das sextas-feiras!
Como se não bastasse, estava chovendo. Muito! E na hora da entrada!
Tudo bem, São Paulo passou dos quarenta dias sem chuva mas... tinha que chover tanto assim na sexta-feira? E na hora da entrada?
Caos, caos, caos... Guarda-chuvas que se batem, crianças corendo na chuva, professor ligando prá avisar que está preso no trânsito... mais crianças correndo... mais guarda-chuvas... e água! Muita água!
Eram 12h30 aproximadamente.
Nesse contexto ouço meu nome.
Não, não era Sõ Pedro perguntando se já podia desligar a torneirinha do céu! Tampouco alguém para solucionar algo (acho que não é só comigo que acontece isso: sempre me procuram prá dizer que há um problema... nunca ninguém chegou me perguntando "quer que eu resolva algo prá você?").
Era a doce e simpática Dna. Leônidas pedindo que eu conversasse com um aluno do Fund I que estava descalço e por nada nesse mundo queria colocar o tênis e as meias!!
Não dá prá dizer não prá Dna. Leônidas e, apesar de meus questionamentos (Ele não é "dos meus"... não tem ninguém do Fund I aí? .... Mas, e a professora dele?), partí para o diálogo com o tal aluno.
Lá estava o camaradinha, descalço e com o pé molhado no chão gelado (receita básica prá ficar com gripe, aliás!). Tentei por todo custo convencê-lo mas acabei convencido... suas meias estavam encharcadas e, por isso, não queria calçá-las!
Esse era o momento exato em que eu devia colocar um ponto final na história... mas não! Tinha que querer resolver a parada! Claro, afinal de contas, quem mais poderia fazê-lo?? (preciso aprender a dizer não prá mim mesmo!)
Com didatismo e cautela, pedi para que ele confiase em mim e me entregase suas meias. Conseguí!
Fui até a cozinha do Colégio e ZAZ!!! Idéias superhipermega bestas...
Minha mãe costumava colocar roupas atráz da geladeira para que secassem mais rápido mas, primeiro, isso era no século passado;
segundo, tinha que secar rápido ou então o menino continuaria com o pé no chã e, definitivamente,
terceiro, era necessário rapidez no processo!
Olhei pro microondas e ele olhou prá mim! Lembrei do dia em que sequei a camiseta do uniforme do colégio da Juju (tá certo, estraguei uma camiseta mas da segunda vez deu certo! Juro!)... e lá fui eu em diração ao forno, com as meias do menino e com a alma de uma criança ingênua, que repete os passos do último erro!
Bom, com o critério nada científico, decidi por marcar dois minutos. Podia jurar que seriam suficientes para secar o par de meias. Só faltou avisar meu dedo!!!
Meias no microondas... tempo selecionado... iniciar!!
Era um balé interesante de se ver: as meias girando dentro do forno, a expectativa de ver um aluno feliz. Tudo parecia conspirar a favor!!
Mas era sexta-feira! Estava chovendo! Era hora da entrada!
Conjunção astral propícia a merda! Aliás, o I.V.D.M.* era altíssimo!!!
Podia jurar que selecionei dois minutos e por isso fui até a porta, conversei com os professores que estavam na sala ao lado da cozinha mas um cheiro estranho tomou conta do ar repentinamente!!
Ao olhar para o microondas, quase não o vi, pois estava envolto à fumaça (da meia chulezenta e úmida) e, no relógio, algo do tipo 15:28 (não lembro da dezena correspondente aos segundos... só lembro do 15... e de ter dito um palavrão!)
Rápido, rápido, rápido!!
Abre o forno, pega a meia (bem... o que sobrou dela), esconde os vestígios, fecha a porta, sai correndo, pede um vale pro Sr. Jayme (afinal, já tinha combinado em função do Dia dos Pais), pega a Juh, vai até o Azulão** para que ela providencie o almoço, corre pela Monteiro de Melo até a lojinha de roupas e diz: Moça, me vê um par de meias que sirva para uma criança de seis ou sete anos PELO AMOR DE DEUS!!!
UFA!
Volto correndo para o colégio e, esbaforido, entrego as meias ao menino:Olha, não te falei que lhe traria meias secas?
Mas não são minhas! disse o menino!
Respondi que eram novas e que as molhadas haviam sido jogadas no lixo...
Precisava ainda dar conta das meias torradas, do cheiro e da desinfeccção do microondas. Pena que nesse meio tempo, missões de professores investigavam a origem do fétido odor que se espalhara pela cozinha, pela sala dos professores e pelo espaço da E.I.
Impossível negar o que fiz! E até tinha gente achando que o cheiro vinha de uma pilha de caixas de salgadinhos para festa de aniversário de uma menininha do Fund I.
Impossível negar o que fiz! E até tinha gente achando que o cheiro vinha de uma pilha de caixas de salgadinhos para festa de aniversário de uma menininha do Fund I.
Ao final do processo (cerca de quinze intensos minutos), fotos para a imortalização da sexta-feira caótica!

IMPORTANTE: O microondas foi limpo e desinfectado, as meias queimadas jogadas no lixo, minha pessoa chacoteada até mas, o mais importante é que o menino vestiu meias secas!
Os créditos das fotos são da Anne Kelly, profa. de português.
Acaba aqui esse imenso post... ...Preciso dizer algo?

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